Sobre se perder, se encontrar e continuar perdido

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A minha luta contra o sistema sempre foi mais pessoal do que ideológica, mais para destruí-lo do que para construir um mundo novo (mesmo que destruir o sistema seja uma alternativa para se construir um mundo novo). Quando criança o sistema que me oprimia era o meu pai, ele era o policial que me espancava, o pastor que me alienava e o político que me enganava… ai depois eu cresci e percebi que não era só ele que era assim, mas essa porra toda que no qual estamos inseridos que é controlado pelo capitalismo a religião e o estado, foi ai que nasceu o ódio e revolta dentro de mim, de forma insana, caótica e autodestrutiva… só um tempo depois com o punk e o anarquismo pude conscientizar esse sentimento e consegui colocar isso para fora de uma forma mais produtiva do que destrutiva; através do D.I.Y. encontrei alternativas para poder me expressar e me encontrar dentro da “perdição” que submundo do underground me levava, primeiramente produzindo zines com textos meus e de amigos que compartilhavam do mesmo sentimento, expressando sobre tudo que nos deixava putos e nos matinha vivos, logo após com poesias, em seguida através da música berrando uns grindcore e atualmente pelo pixo que me enche de tesão pela sua clandestinidade, poesia e desobediência civil (não que eu tenha deixado de fazer as outras coisas citadas).

Mesmo que atualmente eu esteja mais maduro em relação a essa realidade após ter vivido coisa pra karai nesse baguio, sei que ainda tenho muito para viver e que agora to mais afim de construir do que de destruir, de priorizar o amor e as coisas boas que a vida me traz… infelizmente ainda tenho muito ódio e revolta dentro de mim, uma indignação constante de como a vida é, um inconformismo diário de como devo ser e insatisfação contínua de como as coisas são e é isso que me faz punk.

Nesse ponto da vida as coisas que me importam são diferentes das que eu me importava a alguns anos atrás, sei lá tudo que quero é ficar de boa fazendo o que eu acho massa junto de quem eu gosto e é isso ai, claro que dia após dia sempre subversivo… mas é tão difícil e as vezes me sinto tão sozinho mesmo com várias pessoas ao meu redor, que sei lá viu… isso me mostra que algumas feridas ainda estão abertas e isso não me deixa de boa para viver em paz, não sei lidar muito bem com as obrigações que a vida me traz e isso me deixa puto e as vezes inerte. Preciso me cuidar, seguir em frente e evoluir porquê a vida é isso ai, ontem estávamos em um lugar hoje estamos em outro e o tempo não para, para que você decida o que vai ser ou fazer da vida. 

(Gilcélio)

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