Arquivo para julho, 2013

Poema do PM queimado:

Posted in Uncategorized on julho 23, 2013 by gilknup

Imagem

Em manifestação no Rio
Quem ergue a voz toma tiro
Se reclamar, vai detido
Se resistir, ta fudido
A polícia diz que a paz assegura
Mas ainda obedece a ditadura
E o povo sofre com a truculência
E truculência gera violência
Os conflitos a televisão não mostra
Os tiros de verdade são desmentidos
Os molotovs são uma resposta
De quem há muito está ferido

(Black Bloc RJ)

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DA PAZ

Posted in Uncategorized on julho 18, 2013 by gilknup

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por Marcelino Freire *

Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe?

A paz é que não deixa.

Aqui onde nasci

Posted in Uncategorized on julho 18, 2013 by gilknup

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Vejo pela janela
lembranças de uma vida velha
Que não me fazem falta
não me preza

Vejo também pessoas
culturalmente atrasadas
Que por falta de informação
se tornam alienadas.

Odeio nostalgias
lamentar por coisas que existiram um dia
Pessoas conformadas com suas vidas
Que hoje são apenas uma mentira

EU NÃO SOU DE LUGAR ALGUM !!!
Não pense que só porque eu nasci aqui
Com a bosta dessa sociedade
eu tenho que interagir.

Você quer saber o quanto eu evolui??
(Após estes anos fora daqui)
Nada material adquiri
Somente sabedoria
intensidades e motivos para sorrir
Pra você pode não ser nada
Mas tudo bem
fique ai com sua bota nova da pecuária

Com sua vida sem graça,
Com suas ideias vazias
Com sua depressão disfarçada

Se enforque numa praça
Talvez tudo isso passa.

(Gilcélio)

Meu nome

Posted in Uncategorized on julho 14, 2013 by gilknup

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Meu nome é auto destruição
Meu nome é incompreensão
Meu nome é em linha reta
Não quero que digam por ai que me autoproclamo poeta

Meu nome o que é então?
um monte de lixo que sobrou de cada paixão
Meu nome é ser profundo num mundo raso
Deixar tudo ao acaso

Meu nome é cinza
cinza de desapessoado
Meu nome é escrito errado
meu nome é sangue no para brisa

Não importa do que me chamem
Do que me chamarão
Nem do tanto que reclamem
Meu nome é solidão!

Só lhe dão
motivos
te largam te levam consigo
mas continuo sem abrigo
no mundo da proteção

(Wander Segundo)

Confissões de um derrotado.

Posted in Uncategorized on julho 3, 2013 by gilknup

morto

Vou me apresentar
e o prazer é todo seu
passo a vida de cabeça baixa
só ligo para o que é meu

Uso roupas rasgadas
quero te chocar
mostrar que sou diferente
veja minha cara de mau

Saio com meus amigos
para falar palavrões
faço músicas pro capeta
xingo tu e tua mãe

Tenho uma bandinha
com isso me sinto o tal
não tendo nada para falar
faço rimas com meu pau

Não tenho conteúdo
Não tenho opinião
tudo que eu sei vi na televisão

Falo mal da sociedade
Falo mal da política
mas não faço nada da vida
sou apenas um parasita

Mas hoje que estranho
algo me aconteceu
acordei olhei no espelho
e nada apareceu

Gritei pela minha mãe
que ainda limpa minha bunda
ela vem mas não me olha
passa por mim e vai embora

Que se foda a velha então
vou sair com meus amigos
eles sim é que importam
mas até esses malditos passam
por mim e me ignoram

Vou assistir televisão
isso sim é divertido
ligo no canal Desgraça 24hrs
e vejo um moleque parecido comigo

Alguma coisa está errada
o moleque no chão sou eu
o repórter diz que o presunto mereceu

O que fiz eu não me lembro
não me importo em lembrar
meu nome é Otário
estou em todo lugar

(Anne)